Viagem no Comboio da Biodiversidade
13 Março

"Comboio da biodiversidade", por Luísa Schmidt

Pouca terra, pouca terra, pouca terra... Ela pouca não é e, se não a estragassem, nela tudo se criava. Uma das zonas mais férteis e biologicamente mais ricas do país dá a volta a toda a Área Metropolitana de Lisboa (AML). Olhá-la, apreciá-la, atravessá-la e conhecer melhor os valores que aí temos, os que estragámos e os que precisamos de conservar e recuperar, foi o grande objectivo do já justamente célebre "comboio da biodiversidade". Numa iniciativa do Museu de História Natural e do Centro de Biologia Ambiental da Universidade de Lisboa (UL), este foi o primeiro dos muitos "Bioeventos 2010" que se anunciam. Atrelou-se um comboio e deu-se a volta de Lisboa ao Carregado e do Carregado a Setúbal, passando pela antiga ponte Rainha D. Amélia... Espalhados pelas carruagens, uma mão-cheia de especialistas de diversas área científicas da UL foram explicando e debatendo o interesse dos lugares por onde íamos passando. Das "paisagens suburbanas mais violentas", como disse o geógrafo João Ferrão, às mais férteis terras da lezíria, passando pela desolação contaminada do Tejo - que levou o biólogo Jorge Palmeirim a chamar a atenção do valor económico da biodiversidade -, seguindo por alguns dos mais belos trechos desta paisagem horizontal e incerta, onde voam flamingos e ecoa a memória dos "Gaibéus". O passeio culminou, agora já de autocarro, com a visita à grande serra da Arrábida - cuja candidatura a Património Mundial da UNESCO mereceu uma conferência de imprensa. Durante todo este trajecto algumas questões acutilantes ficaram gravadas na memória de todos: como se destruiu o valor económico da produção de ostras do Tejo? Como se condenou tanta gente à condição de uma vida suburbana sem qualidade? Como se destruiu (e destrói) a estratégica Reserva Agrícola Nacional? Como se mutilou a paisagem única e quase sagrada da Arrábida? A experiência foi verdadeiramente extraordinária pela revelação constante da biodiversidade, mesmo no meio da adversidade suburbana. Uma biodiversidade que só encontrou paralelo na diversidade extrema da "fauna humana que povoava as carruagens: cientistas e artistas; empresários e responsáveis políticos; associativos e jornalistas; magistrados e autarcas... Interessante, divertidíssimo e cheio de esperança. A viagem foi também um lançar de pontes (em linguagem chique diz-se bridging) entre competências, interesses e pessoas."

Artigo publicado na edição de 2 de Abril de 2010 do jornal Expresso





Outras informações:

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Quinta de El Carmen

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Links relacionados:

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