Viagem no Comboio da Biodiversidade
13 Março

QUINTA E CAPELA DE NOSSA SENHORA DE EL CARMEN (ARRÁBIDA)
Heitor Baptista Pato

Corriam os anos de 1560 quando a actual capela dedicada a Nossa Senhora de El Carmen foi mandada edificar sobre uma ermida pré-existente por D. Madalena de Girón, mulher do segundo duque de Aveiro D. Jorge de Lencastre, que morreria em Alcácer-Quibir, e tia do terceiro duque D. Álvaro, que fundaria o Convento Novo da Arrábida.
Os duques de Aveiro possuíam casa em Vila Nogueira de Azeitão, zona muito frequentada pela corte e pela melhor nobreza do reino, e costumavam ficar alojados em instalações adstritas à ermida de Santa Maria do Carmo – que fora consrtruída por esmolas do povo e era “redonda oitavada, não tem fresta nenhuma , (…) o tecto madeirado de castanho de olival de boa madeira nova (…)”, como se lê numa visitação da Ordem de Santiago de 1553 – onde assistiam com os seus convidados a uma missa antes de partirem a caçar pela serra, então rica em javalis e veados. Para além da ampliação da ermida, que ficou dotada de torre sineira e alpendre e à qual ofereceu a imagem da Senhora do Carmo, promoveu D. Madalena de Girón a construção de novas dependências para acolher condignamente os caçadores, incluindo uma grande cavalariça com as suas manjedouras no piso térreo e salas de pernoita no primeiro andar.
Em Setembro de 1619, ao regressar ao seu país depois de uma visita a Portugal, ficou Filipe III de Espanha alojado na “casa de prazer” dos Duques em Azeitão. O cronista João Baptista Lavanha anotou a este propósito: “Por detrás desta casa corre a Serra da Arrábida, que pela banda do meio dia é banhada do Oceano, no qual se fazem copiosas pescarias, e na terra se matam Veados que o Duque trás nela mui guardados. Quis sua Magestade depois de comer ir à caça; chamou o Duque, meteu-o consigo no coche, foram nele atá ao pé da Serra, onde tomaram cavalos; acharam muitos Veados, que não esperaram que se lhes pudesse atirar.”
À ermida da Senhora de El Carmen afluíam romarias, ou círios, provenientes de Setúbal, Azeitão e Sesimbra (Pedreiras), o último dos quais continua a ocorrer nos nossos dias, numa peregrinação anual acompanhada por gaitas-de-fole.
Na ermida de El Carmen venerava-se também, até ao seu roubo em 1974, a imagem de Nossa Senhora da Pinha. Diz a lenda que um homem, preso de ciúmes, tentara matar a mulher, muito devota da Senhora de El Carmen; fingindo uma romaria, ali se dirigiu com ela. Descansando sob um grande pinheiro nas imediações da capela, e vendo-se a sós com a mulher, tentara matá-la a golpes de faca, mas logo uma pinha o atingiu na mão que segurava a arma; e levantando o olhar viu a Senhora que, num halo de luz, tinha já outra pinha pronta para lhe atirar.




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